Fazenda Santa Mônica

Fazenda1976Fizeram de Santa Mônica uma verdadeira empresa agrícola, onde trabalhavam quase 700 escravos, juntamente com feitores, capatazes e outros profissionais. Quando da abdicação de D. Pedro I, em 1831, o Marquês exilou-se em Santa Mônica, período em que, provavelmente, deu início à construção do principesco solar, só inaugurado muito tempo depois. Com seu casamento com Dona Francisca Mônica, em 1809, o Marquês foi admitido na seleta aristocracia fluminense. Dona Francisca era filha de um dos mais abastados e considerados negociantes da praça, Bráz Carneiro Leão, que falecera no ano anterior. Desta união nasceram três filhos: Bráz, futuro Conde de Baependy, Manoel Jacinto e Francisco Nicolau, que futuramente seriam os barões de Juparanã e de Santa Mônica, respectivamente. Baependy faleceu em 1847 no Rio de Janeiro, deixando grande fortuna para a esposa a e os filhos. No ano seguinte, hospedou-se na fazenda o imperador D. Pedro II, que aí esteve especialmente para prestar condolências à Marquesa, retornando à fazenda em 1865, 1876 e 1881. Com a morte da Marquesa, em 1869, a Fazenda Santa Mônica foi herdada pelo filho Manoel Jacinto. Manoel Jacinto Carneiro Nogueira da Gama, o Barão de Juparanã, foi um grande amigo da Vila de Desengano (hoje Barão de Juparanã). À sua custa, foram construídas a Estação Ferroviária local, a Igreja de Nossa Senhora do Patrocínio e a escola, além de outras benfeitorias. Antes de falecer, em 1876, deu liberdade a 56 de seus escravos. O Barão de Juparanã deixou Santa Mônica a seu irmão e sócio Francisco Nicolau, futuro Barão de Santa Mônica. Este era casado com a prima, Dona Luíza Loreto Vianna de Lima e Silva, filha do Duque de Caxias. Nesta ocasião, o Duque de Caxias mudou-se para a Fazenda, a fim de exilar-se e tratar da saúde. Muito idoso, faleceu no dia 7 de maio de 1880, assistido pela querida filha. Logo após a morte do sogro, Francisco Nicolau atravessou grandes dificuldades com a derrocada do café. Sem alternativa, hipotecou, em 24 de novembro de 1884, a Fazenda e mais o Palacete do Duque de Caxias, na Tijuca, ao cunhado o Visconde de Ururay. Após a morte do Barão de Santa Mônica, em 1885, os credores executam a hipoteca e a fazenda é transferida ao Banco do Brasil. Em 1912, é adquirida pelo Governo Federal, através do Ministério da Agricultura, em cuja posse mantém-se até os dias atuais. Hoje denominada “Campo Experimental Fazenda Santa Mônica”, foi absorvida em 1975 pela Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), sendo vinculada ao CNPGL (Centro Nacional de Pesquisa Agropecuária de Gado Leiteiro). Possui uma área de reserva florestal e o restante é constituído, principalmente, de canaviais, capinzais e pastagens. Esta fazenda é um bom exemplo do antológico casarão de grandes dimensões, revelando uma fase de transição entre o colonial e o neoclássico, na primeira metade do século XIX. É uma das maiores casas de fazenda, com 3.048m2 , 65 compartimentos, 97 janelas, 62 portas e cinco escadas internas. De suas janelas laterais, o seu proprietário, o Barão de Juparanã, avistava a monumental ponte da Estrada de Ferro D. Pedro II – financiada por ele –, sobre o rio Paraíba do Sul.

Fontes primárias:

Inventário do Barão de Juparanã, caixa 1586, ano: 1877. Museu da Justiça do Rio de Janeiro. A descrição de seus bens pode também ser conferida no livro de IÓRIO.

Livro Paroquial de Registro de Terras. Propriedade da Marqueza de Baependy. (Fazenda Santa Mônica). Registro feito em 16 de janeiro de 1856, no Livro 88, Valença. Arquivo Público do Estado do Rio de Janeiro. Coleção RT.

Periódicos

Almanak Administrativo, Mercantil e Industrial do Rio de Janeiro. O Almanak foi publicado anualmente pela Corte Real, entre 1844 e 1889. Relacionava os oficiais da Corte e dos ministérios.

Anuário do Museu Imperial. Diário de D. Pedro II – 1862. vol. XXVII, 1956.

BIBLIOGRAFIA CALMON, Pedro. Histórias de Minas e Memórias de Nogueira da Gama. José Olympio Editora, Rio, 1985.

FERREIRA, Vieira desembargador. Cachoeira e Porangaba – A Concessão de Sesmarias no Brasil e a Lavoura de Café nas Montanhas de Valença. Revista do Instituto Histórico Geográfico Brasileiro, Vol 213, 1951.

IÓRIO, Leoni. Valença de Ontem e de Hoje. Valença, Companhia Dias Cardoso, Juiz de Fora, 1952.

LAMEGO, Alberto. O Homem e a Serra. 2a edição, IBGE. Conselho Nacional de Geografia, Rio de Janeiro, 1963.

LEMOS, Marcelo Sant’Ana. O índio virou pó de café? A resistência dos índios Coroados de Valença frente à expansão cafeeira no Vale do Paraíba (1788 – 1836). Dissertação do Programa de Pós-Graduação em História – UERJ – 2004.